Au Pair pelo mundo: Au Pair na Itália

Hallo!

Este é o segundo post da série “Au Pair pelo mundo” [veja aqui o 1º]. Hoje, trouxe o depoimento de Thamires, uma grande amiga que foi Au Pair em Parma, na Itália e veio compartilhar suas impressões e experiências 🙂 Espero que gostem.

Você com certeza já ouviu falar da Parmalat, do queijo Parmesão, do Fillet a Parmegiana, do presunto de Parma e outros nomes com esse radical “Parm-“, não já!? Não sei se você é tão desligada quanto eu, mas eu nunca havia me perguntado: De onde será que essas coisas vem? Que cidade é essa? E, por um golpe do destino fui parar lá.

Parma
Parma

Cheguei sabendo de quase nada, para aprender muito, não só sobre Parma, mas também sobre a cultura italiana. E, até agora, não conheci povo europeu mais abrasileirado do que esses italianos! Quando as pessoas me perguntavam o porquê de eu ter escolhido a Itália para fazer Au Pair, eu dizia que eu não a escolhi, mas ela me escolheu.

Em um castelo nos arredores de Parma
Em um castelo nos arredores de Parma

A Itália é dividida em cinco grandes regiões e vinte estados (que eles também chamam de regiões). Parma localiza-se em um estado chamado Emilia-Romagna (a capital do estado é Bolonha – é, de onde vem o molho a bolonhesa!), fica no nordeste da Itália e tem uma população de quase duzentos mil habitantes. Na cidade não falta nada, tem Kebab, faculdades, Ikea, centro comerciais, Castelos, encontros do coutchsurfing, gente bonita, cinema e estádio de futebol (o Parma Futebol Club foi muito importante até a Parmalat – seu patrocinador oficial – falir. Mas ele ainda está na séria A).

E realmente foi um golpe de sorte do destino que me levou para lá, pois me inscrevi para vários países no aupairworld e nenhuma família me contatou, no momento o que eu abri para vim para a Itália, três família italianas se interessaram no meu perfil. Aceitei o convite daquela que fez meu coração bater mais forte, mesmo sabendo que eles seriam mais complicados que os outros, pois tinham uma criança autista e eu não teria meu próprio quarto. Não foi fácil dividir o quarto com um da criança, nem ter que ouvir e ver sempre as caras tristes dos pais por saberem que seu filho nunca voltaria a ser o mesmo (pois é, o menino era normal, depois dos três anos foi que começou a apresentar características de autista, parando até de falar) e ter que arrumar toda a casa porque os pais realmente não tinham tempo.

Com Davide, que não tirava a camisa de Neymar! Obs: quando tiver de passagem por qualquer parte da Itália, mais do que a pizza ou o spaghetti, você tem que provar os sorvetes artesanais!
Com Davide, que não tirava a camisa de Neymar!
Obs: quando tiver de passagem por qualquer parte da Itália, mais do que a pizza ou o spaghetti, você tem que provar os sorvetes artesanais!

O dia-a-dia não foi fácil, principalmente porque eu não falava italiano e os meninos não falavam inglês, mas eu me senti parte daquela família e tem certas coisas que você só aguenta porque acontece não sua família, não é mesmo!? Foi assim que levei esses dois meses. E eu não poderia ter escolhido família melhor, pois até longe eles, eu ainda sinto esse laço que criamos.

Não sou uma pessoa muito paciente, por isso decidi vir sem visto para a Europa, pois planejava tirar o tal visto aqui. Só que eu não contava que as leis iriam mudar justo no período que eu cheguei. Então presta atenção nas dicas de visto para a Itália: Por causa da crise, o governo quase anulou a possibilidade de estrangeiros trabalharem na Itália, então o jeito mais fácil é ir estudar. Não se tira visto de estudante na própria Itália, o visto tem que ser emitido no país de origem e tem que passar por uma entrevista oral em italiano (que não é grande coisa). A Itália não emite visto nenhum! A dica que eu dou é: se organize dois ou três meses antes de vir, estude o básico de Italiano, procure um curso na cidade que você vai morar e vá para o consulado tirar o visto. Sua Host Family deve te ajudar nesse processo. Se na sua cidade não tem um consulado italiano, dá uma olhada nessa página (http://www.consuladositalianos.com.br/) e veja qual consulado é o responsável pela sua região.

Gostei de começar minha estadia na Europa pela Itália porque acredito que o choque cultural foi menor. Cheguei na Itália sem saber de nada, minhas únicas referencias italianas eram aquelas das novelas da globo que eu assistia quando criança.  Até os nomes das comidas eu nunca tinha pensado de onde vinham. Aprendi tudo quando cheguei: mergulhei total na cultura e sofri muito ao ter que sair. Agora estou indo para a Suíça, um lugar de gente muito fechada, diferente dos italianos que conheci. Vou chegar com uma base pequena de alemão e ir direto procurar um visto de estudante. Pretendo não cometer os mesmos erros que cometi, como deixar o inglês ser a língua oficial da casa (isso retardou muito o meu aprendizado do italiano) e ser medrosa, achar que todos estão me julgando. Na verdade demorei a internalizar que quando você é nova no pedaço, ninguém te julga, porque ninguém te conhece. Poderia ter aproveitado mais, errado mais, levado um fora do meu Mr Palermo, mas preferi não tentar. Por isso tente! É a dica que eu dou. E a outra dica importante já foi dada: não venha sem visto!

Ser au pair é uma experiência mágica em todos os sentidos. Você cresce muito, pois não é fácil viver com uma outra família e, pior ainda, cuidar de filhos que não são seus. Mas você aprende tudo, aprende a se desligar do Brasil, a sorrir para um estranho, aprende a aprender a todo o tempo, a se virar… só sabe quem vive, é difícil até de explicar.

Festival do Torronne, em Cremona, uma das províncias de Parma.
Festival do Torronne, em Cremona, uma das províncias de Parma.

Arrivederci, Belle!

Thamires Almeida

[Thamires é pedagoga e tem 25 anos. Decidiu “fugir” do Brasil depois que percebeu que o destino lhe deu uma chance para realizar um sonho que ela nunca tinha tido coragem de correr atrás. Está na Macedônia, onde passará um mês, para depois ir morar em Basel, na Suíça. Não tem grandes planos para o futuro. Não se vê daqui há 5 anos. Neste último ano, teve a certeza que não adianta fazer grandes planos, pois os pequenos momentos que tiram o ar valem muito mais do que aquela realização que foi planejada ha tanto tempo.]

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