Crianças e seus desafios

Hallo!

Voltei dando sequência aos preteridos posts. Por motivos de saúde e de férias e viagens não cumpri com o cronograma. Mas nunca é tarde para recomeçar, né? No post de hoje quero compartilhar e “desabafar” os desafios/sufocos que nós Au Pairs passamos  por causa das crianças. Quem tem experiência com criança em geral (independente da faixa etária) sabe que tem que ter jogo de cintura porque trabalhar com essa turminha né brinquedo não! Ainda mais morando com elas 😀

Nos primeiros contatos com qualquer adulto que vá “impor autoridade” as crianças tendem a passar por uma fase de “testes”. Sim, elas vão te desafiar de todas as formas pra te conhecer e conhecer seus limites e sua maneira de conduzir. E eles tem várias maneiras de fazer isso: te excluindo das brincadeiras, “aprontando” com você, desobedecendo, gritando, te aborrecendo, te ignorando, etc.

Não se assuste e principalmente não leve para o pessoal. Passo por isso a alguns anos em sala de aula e não seria diferente no Au Pair né? As crianças fazem isso como uma forma de “se defender”. Sim. Afinal, você é um adulto novo que está chegando e consequentemente, gerando grandes mudanças na rotina da família (por mais que eles já tenham tido Au Pairs anteriores, como minha família). Além desse fator e do grande choque cultural, eles precisam confiar em você e se sentirem seguros na sua presença (afinal a maior parte do tempo geralmente passamos a sós com eles). Desafiar e testar é a forma que eles encontram de sentirem que “esse adulto é capaz de cuidar e me proteger”.

O importante é ter paciência, jogo de cintura e saber dosar a autoridade. Se imponha, mas saiba diferenciar ter autoridade de ser autoritário. Esse limite é uma linha bem tênue e é muito relativo. As crianças devem te ouvir mas você não deve ser tão rigoroso. Depende da forma como os pais educam as crianças, do país, família, etc. Se uma criança é totalmente mimada, mal educada e os pais são coniventes com isso, cabe a você permitir ou não que eles mantenham essa postura na sua presença. Ao mesmo tempo não somos pais deles.

Minha visão é que estamos aqui apenas como “monitores” certificando que eles sigam sua rotina de forma segura e prazerosa. Em relação a essa dicotomia meu conselho é o bom e velho diálogo com a família. Já vi casos de hosts que querem mais é que o Au Pair faça milagres que nem eles são capazes como pai e mãe. Também conheço histórias de pais que deixam claro “não mande no meu filho, apenas relate e eu faço isso”. Cada caso é um caso…

Mas independente de sexo, faixa etária, de serem bem educados ou não, essas criaturinhas vão te testar de alguma forma. No meu caso, os pais são bastante afetivos e rigorosos na rotina e as crianças são bastante obedientes (claro que rola uma arte aqui e ali, normal são crianças!!!). Mas quando enfrento uma situação desse tipo, procuro me impor e mostrar que sou a adulta da casa e que eles devem seguir minhas regras. E ao fim do dia converso abertamente com a mãe acerca das melhores medidas a serem tomadas. Hoje, com dois meses de casa, estamos nos acostumando uns com os outros e até então nunca tive um grande problema.  Mas aqui e lá tenho que lembrá-los “quem manda” haha.

Nos meus primeiros dias enfrentei um grande problema. Existe uma regra aqui, que eles só podem assistir 30 minutos de televisão por dia. Quando mandei desligarem eles desafiaram e disseram que não, que sabiam mais que eu sobre a casa e que poderiam estender o tempo. Fui à sala e me impus “não vocês não podem porque digo que não. Conversemos então juntamente com seus pais mais tarde” e fui pegar o controle. Eles literalmente pularam no controle remoto e não me deixaram desligar. Foi uma grande discussão, mas mantive meu tom de voz. Até que resolvi ligar para a mãe (apenas fingi) e eles desligaram e me ignoraram a tarde toda. À noite contei para a mãe o ocorrido, que chamou as crianças e conversamos todos juntos acerca das regras da casa. Nunca mais tive o problema da televisão e aprendi a ser um pouco flexível também (com consentimento dos pais) e ceder, quando necessário, 05-10 minutos.

Houveram outros episódios, mas nada tão sério como o primeiro. No primeiro mês eles geralmente me evitavam, me excluíram e não me convidavam ou deixavam participar das brincadeiras. Me mostrei sempre interessada e procurei exaltar as atitudes positivas, demonstrando como estava feliz por participar da vida deles. Aos poucos eles já me permitem tocar em certos brinquedos “sagrados”. O que surpreendeu mesmo foram os desenhos que ganhei no meu aniversário. É o melhor meio de comunicação das crianças, pude ver que sim, sou bem vinda.

O diferencial é mostrar as crianças que você não está aborrecido com elas mas com a atitude delas. É saber dosar, mas não deixar de se impor. Se você começar a consentir por “medo” ou por não saber como agir e tomar o caminho “mais fácil”, vai virar bola de neve e eles não vão mais te respeitar ou dar ouvidos quando você disser “não” em relação àquilo. Eles tem que conhecer seus limites e você tem que saber ser um bom guia e liderar a situação.

Os pais gostam de sentirem que deixaram seus filhos em um ambiente seguro e que eles serão felizes e bem tratados sob os olhos de alguém que será a voz deles quando eles não estiverem presentes. Portanto converse e mantenha o diálogo aberto, pois a cultura e a educação aqui são diferentes. É importante compreender a filosofia da família para saber aplicá-la.

“Qual a melhor faixa etária?” – Todas tem pros e cons. menino, menina, de baby a mais velho: vão te testar, são crianças! Mas pra quem ainda está no conforto de seu lar decidindo host families, procura levar isso em conta e pesar na balança. Porque você passará a maior parte do seu tempo com as crianças, é importante que você faça uma escolha feliz. Vale lembrar também que cada Au Pair tem uma personalidade. Uma faixa etária que se encaixe no meu perfil pode não ser boa pra você. Quando escolhi a família eu tinha isso em mente, exalto abaixo a MINHA opinião pessoal:

Prós x Cons

0 – 04 anos

Prós: São mais abertos, fofos, afetivos e se apegam com mais facilidade.

Cons: São muito dependentes e a atenção tem que ser redobrada. Você tem que estar perto o tempo todo. Além disso, dependendo do país e da família, geralmente não atendem creches e ficam o dia inteiro em casa = haja energia!

05-08 anos

Prós: Considero a melhor faixa etária porque já conseguem fazer certas coisas sozinhos, são enérgicos e interagem de forma mais madura com você mas também são mais abertos afetivamente, se apegam fácil também. Eles já interagem com outras crianças, que dá a possibilidade de fazer playdates! Também já começam nessa idade a atender Kindergarten ou escola.

Cons: São também mais teimosos e questionam muito as ordens. Quando se recusam e querem fazer escândalo f****. São muito enérgicos e curiosos, tem sempre uma traquinagem em mente.

a partir de 09 anos

Prós: São super independentes, você não precisa estar junto o tempo todo acompanhando cada passo, apenas certificando-se que eles estão bem. Geralmente tem escola e outras atividades extra curriculares.

Cons: É uma fase que eles se sentem donos do próprio nariz e que sabem também de tudo. Rio por dentro quando o meu de 09 anos começa a querer dar discurso sobre as coisas e se esquece que já rodei nesse mundo mais que ele. Por estarem já na pré adolescência, são mais teimosos e batem mesmo de frente ou mais reservados e não “se envolvem” tanto no sentido de “se apegar”, principalmente quando a família tem tido Au Pairs desde que eles eram pequenos. Porque eles sabem que daqui a um tempo, vamos embora.

E vocês, já passaram por alguma situação desse tipo? Como lidaram? O que pensam sobre o assunto: até que ponto devemos impor autoridade?

 

Tschüss

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2 comentários sobre “Crianças e seus desafios

  1. Oi, eu tbm estou passando pela experiência de ser aupair, eu tive sorte e azar pq a minha gastmutter fica em casa o tempo todo e só tem uma menina de oito anos que pena q tem dezoito rsrs o problema e que as vezes eu falo não e ela não me da ouvido simplesmente vira e pergunta: vc já falou com minha mae? Ou se não diz: Mama ich will spreche MIT dirh ohne nayara. Isso e o qune eu consigo entender. Ou e ainda pior quando esta o sagrado papa que deixa q a mae não deixa, então jogo de cintura se a mama não esta perto o papa manda, mas as vezes eu tenho q dar um freio nele e lembrar q a mama não vai gostar. Mas fora isso e uma experiência fantástica, ah eu também já ouvi coisas tipo: sai daqui, eu não quero brincar com vc. Nunca leve pro pessoal, ela só esta com raiva pq eu Denunciei alguma traquina em, mas no dia seguinte ouço: vem nayaha, vamo bincar la fola. E tao fofo quando ela troca o R, q ai eu esqueço tudo e relaxo.

    • Olá Nayara!

      O fato de a gast ficar em casa ou é algo muito bom (meu caso porque ela me libera) ou muito ruim porque elas ficam de pernas pro ar nos assistindo fazer o trabalho delas como mãe né? hehe Isso de os pais se contradizerem acontece né? Normal… mas acaba é sobrando para nós que ficamos no meio sem saber a quem seguir! Eu tento ir levando, dei sorte que meus gasts são unidos e tomam as decisões com sintonia.
      Os meus, principalmente o de 09 anos, às vezes me excluem e dizem mesmo “wir wollen alleine spielen du darfst nicht” eu me sinto a excluída do parque 😦 kkkkkkkkk mas não levo pro pessoal, entendo que é o momento deles, o espaço deles e respeito. Mas procuro chegar perto e perguntar se tá divertido ou trago um lanche gostoso e acabo sendo convidada a participar ou a assistir. Aqui, meus garotos adoram brincar de lego. Quando houve o episódio da TV que narrei no post eles disseram a mãe para ela me avisar que eu NÃO TOCASSE NO LEGO deles porque eles não gostam que eu brinque de lego com eles. Fiquei chocada!!! Mas hoje em dia, ELES ME CONVIDAM PRA BRINCAR JUNTO DE LEGO. Me sinto super inclusa!!! Ou eles exibem algo bacana que criaram, perguntam como isso ou aquilo é no Brasil… tenho me informado mais sobre futebol e etc que é o assunto que tenho em comum com eles. Com um sorriso eles desmancham a gente né? HAHA

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